Orçamento18 min de leitura10 de fevereiro de 2026

Quanto Custa Construir ou Reformar: Como Estimar com CUB, SINAPI e Orçamento Realista

Quanto Custa Construir ou Reformar: Como Estimar com CUB, SINAPI e Orçamento Realista
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Saber quanto custa construir ou reformar é a primeira decisão financeira de qualquer projeto na construção civil. Sem uma estimativa fundamentada, o risco de estouro de orçamento é alto - e os números do setor confirmam: obras residenciais no Brasil ultrapassam o orçamento inicial em 20% a 40% quando não há planejamento adequado. Este guia reúne as principais metodologias, referências de custo e estratégias para você estimar com precisão e manter o controle financeiro do início ao fim.

Neste artigo

Custo médio de construção no Brasil

O custo de construção varia significativamente conforme três fatores principais: padrão de acabamento, região do país e tipologia da edificação. Antes de qualquer cálculo detalhado, é útil ter uma referência paramétrica que permita avaliar a ordem de grandeza do investimento.

Os valores abaixo são estimativas baseadas no CUB médio nacional para residências unifamiliares (projeto-padrão R-1), acrescidos de BDI estimado entre 25% e 30%. Eles servem como ponto de partida para estudos de viabilidade - não substituem um orçamento analítico detalhado.

Faixas de custo por padrão de acabamento

Padrão Baixo (R-1 Baixo)

  • Custo estimado por m²: R$ 1.800 a R$ 2.200
  • Casa de 100 m²: R$ 180.000 a R$ 220.000
  • Casa de 120 m²: R$ 216.000 a R$ 264.000
  • Casa de 150 m²: R$ 270.000 a R$ 330.000

Padrão Normal (R-1 Normal)

  • Custo estimado por m²: R$ 2.300 a R$ 3.000
  • Casa de 100 m²: R$ 230.000 a R$ 300.000
  • Casa de 120 m²: R$ 276.000 a R$ 360.000
  • Casa de 150 m²: R$ 345.000 a R$ 450.000

Padrão Alto (R-1 Alto)

  • Custo estimado por m²: R$ 3.200 a R$ 4.500
  • Casa de 100 m²: R$ 320.000 a R$ 450.000
  • Casa de 120 m²: R$ 384.000 a R$ 540.000
  • Casa de 150 m²: R$ 480.000 a R$ 675.000

Importante: Esses valores são estimativas de referência com base no CUB nacional e incluem custos diretos e indiretos (BDI). Não incluem terreno, projetos (arquitetônico, estrutural, instalações), taxas de aprovação, mobiliário nem paisagismo. O CUB do seu estado pode ser significativamente diferente da média nacional. Consulte os valores atualizados por estado.

Variação regional

O custo de construção varia entre 15% e 30% dependendo do estado. Regiões metropolitanas como São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília tendem a apresentar custos mais elevados por conta do preço da mão de obra e da logística de materiais. Já estados do Norte e Nordeste podem ter materiais mais caros por conta do frete, mas mão de obra com custo inferior.

Para uma estimativa confiável, utilize sempre o CUB do seu estado, publicado mensalmente pelo Sinduscon local, e não a média nacional.

Custo de reforma: uma estimativa diferente

Reformas não seguem a mesma lógica de custo por m² das construções novas. O custo depende da extensão da intervenção:

  • Reforma simples (pintura, troca de revestimentos, reparos pontuais): R$ 500 a R$ 1.200 por m²
  • Reforma média (troca de instalações hidráulicas ou elétricas, mudança de layout parcial): R$ 1.200 a R$ 2.500 por m²
  • Reforma estrutural (reforço de fundações, ampliação, demolição parcial): R$ 2.000 a R$ 3.500 por m²

Importante: Reformas tendem a ter custo por m² mais alto que construções novas quando envolvem demolição e adaptação de sistemas existentes. O grau de imprevisibilidade também é maior, o que exige uma reserva de contingência de pelo menos 15% a 20% do orçamento estimado.

O que compõe o custo de uma obra

Entender a composição do custo total é essencial para não subestimar o investimento. O custo de uma obra se divide em três grandes grupos: custos diretos, custos indiretos e impostos/lucro.

Custos diretos

São os custos diretamente associados à execução física da obra. Representam entre 65% e 75% do custo total.

Materiais (30% a 45% do custo total)

  • Cimento, aço, areia, brita, tijolos/blocos
  • Revestimentos cerâmicos, porcelanato
  • Madeira para formas e estruturas
  • Tubulações hidráulicas e elétricas
  • Esquadrias (portas, janelas)
  • Tintas e impermeabilizantes
  • Louças e metais sanitários

Mão de obra (40% a 55% do custo total)

  • Pedreiros, serventes, carpinteiros, armadores
  • Encanadores, eletricistas
  • Pintores, gesseiros, vidraceiros
  • Encargos sociais e trabalhistas (que podem representar de 80% a 130% sobre o salário, dependendo do regime de contratação)
  • Equipamentos de proteção individual (EPIs)

Equipamentos (3% a 8% do custo total)

  • Betoneira, vibrador de concreto
  • Andaimes e escoramentos
  • Ferramentas diversas
  • Locação de equipamentos especiais (grua, retroescavadeira)

Custos indiretos

São os custos que não estão vinculados a um serviço específico, mas são necessários para a execução da obra.

  • Administração local (engenheiro residente, mestre de obras, almoxarife)
  • Canteiro de obras (barracão, instalações provisórias, tapume)
  • Consumo de água e energia durante a obra
  • Mobilização e desmobilização
  • Seguros (responsabilidade civil, risco de engenharia)
  • Despesas financeiras

Projetos e taxas

Estes custos antecedem a obra e muitas vezes são esquecidos na estimativa inicial:

  • Projeto arquitetônico: 3% a 8% do custo da obra
  • Projeto estrutural: 1% a 3%
  • Projetos de instalações (hidráulica, elétrica, ar-condicionado): 1% a 3% cada
  • Topografia e sondagem: R$ 2.000 a R$ 8.000
  • Taxas de aprovação na prefeitura: variam por município
  • ART/RRT (anotação/registro de responsabilidade técnica): R$ 200 a R$ 800 por projeto

Dica: Para não esquecer nenhum componente de custo, utilize um orçamento analítico completo como base. Na Concretu, você pode gerar orçamentos detalhados com composições SINAPI que já incluem todos esses itens automaticamente.

CUB: o que é e como usar

O CUB (Custo Unitário Básico da Construção Civil) é um indicador de custo por metro quadrado calculado mensalmente pelos Sinduscons (Sindicatos da Indústria da Construção Civil) de cada estado brasileiro. Sua metodologia é regulamentada pela NBR 12.721:2006 da ABNT e pela Lei Federal 4.591/1964.

O CUB foi criado para servir como referência de custo e como indexador de contratos no mercado imobiliário. Ele é amplamente utilizado para:

  • Estimativas rápidas de custo de construção
  • Reajuste de contratos de incorporação imobiliária
  • Estudos de viabilidade econômica
  • Comparação de custos entre regiões e períodos

Tipologias do CUB

O CUB é calculado para diferentes tipologias de projeto-padrão. Cada tipologia representa um tipo de edificação com características definidas.

Residências unifamiliares:

  • R-1 Baixo: residência de 1 pavimento, padrão baixo de acabamento
  • R-1 Normal: residência de 1 pavimento, padrão normal de acabamento
  • R-1 Alto: residência de 1 pavimento, padrão alto de acabamento

Prédios populares:

  • PP-4 Baixo: prédio popular de 4 pavimentos, padrão baixo
  • PP-4 Normal: prédio popular de 4 pavimentos, padrão normal

Residenciais multifamiliares:

  • R-8 Baixo: residencial de 8 pavimentos, padrão baixo
  • R-8 Normal: residencial de 8 pavimentos, padrão normal
  • R-8 Alto: residencial de 8 pavimentos, padrão alto
  • R-16: residencial de 16 pavimentos

Comerciais:

  • CSL-8: comercial salas e lojas, 8 pavimentos
  • CSL-16: comercial salas e lojas, 16 pavimentos
  • CAL-8: comercial andares livres, 8 pavimentos

Galpão industrial:

  • GI: galpão industrial padrão

Para uma consulta detalhada dos valores por estado, veja nosso artigo sobre CUB: valores atualizados por estado ou baixe os valores do CUB por estado diretamente na plataforma Concretu.

Como calcular com o CUB

O cálculo paramétrico com o CUB segue uma fórmula simples:

Custo estimado = Área construída (m²) x CUB da tipologia x (1 + BDI)

Exemplo prático: uma casa de 120 m², padrão normal, em São Paulo, com CUB R-1 Normal de R$ 2.350,00/m² e BDI de 30%:

  • Custo estimado = 120 x 2.350 x 1,30 = R$ 366.600,00

O que o CUB não inclui

É fundamental saber o que está fora do CUB para não subestimar o custo total:

  • Terreno
  • Fundações especiais (estacas, tubulões)
  • Elevadores
  • Instalações de ar-condicionado
  • Equipamentos de combate a incêndio
  • Projetos arquitetônicos, estruturais e de instalações
  • Remuneração do construtor/incorporador (BDI)
  • Impostos sobre a construção
  • Playground, piscina e áreas de lazer externas
  • Urbanização e infraestrutura externa

Importante: O CUB é um excelente ponto de partida para estimar custos, mas não substitui um orçamento detalhado. Ele não captura particularidades do seu projeto, como terreno em declive, solo com baixa capacidade de suporte ou especificações de acabamento acima do padrão da tipologia.

SINAPI: o que é e como usar

O SINAPI (Sistema Nacional de Pesquisa de Custos e Índices da Construção Civil) é o banco de dados de referência de custos mantido pela Caixa Econômica Federal em parceria com o IBGE. Ele fornece composições analíticas de serviços e preços de insumos pesquisados mensalmente em todos os estados brasileiros.

O SINAPI é obrigatório como referência de custos em obras públicas financiadas com recursos federais, conforme o Decreto nº 7.983/2013. Mas ele é igualmente valioso para obras privadas como referência de mercado.

O que o SINAPI oferece

Composições de serviço:

  • Cada serviço (ex: alvenaria de blocos cerâmicos, revestimento argamassado, instalação de ponto elétrico) tem uma composição detalhada com os insumos necessários, coeficientes de consumo e produtividade da mão de obra.

Preços de insumos:

  • Pesquisados mensalmente em todos os estados, separados em desonerado (sem encargos previdenciários patronais sobre a folha) e não desonerado (com encargos completos).

Curvas ABC:

  • Classificação dos insumos por representatividade no custo total, permitindo identificar os itens de maior impacto.

Como consultar o SINAPI

O SINAPI pode ser acessado de duas formas:

  1. Portal da Caixa - acesso gratuito às tabelas de preços e composições, organizadas por estado e mês de referência.
  2. Ferramentas especializadas - softwares de orçamentação que importam os dados SINAPI e permitem montar planilhas orçamentárias de forma mais ágil.

Para um guia detalhado sobre como consultar e utilizar o SINAPI, veja nosso artigo SINAPI: o que é e como consultar ou baixe as tabelas SINAPI por estado.

Exemplo prático com SINAPI

Para orçar o serviço de alvenaria de blocos cerâmicos (14 x 19 x 39 cm) com argamassa de assentamento, a composição SINAPI inclui:

  • Bloco cerâmico (quantidade por m²)
  • Argamassa de assentamento (consumo por m²)
  • Pedreiro (horas por m²)
  • Servente (horas por m²)

Cada insumo tem seu preço pesquisado no estado. A multiplicação dos coeficientes pelos preços unitários resulta no custo unitário do serviço (R$/m²). Esse custo unitário é então multiplicado pelo quantitativo levantado no projeto.

Dica: Na Concretu, você pode gerar orçamentos com composições SINAPI automaticamente. Basta descrever o escopo da obra e a plataforma monta a planilha orçamentária com preços atualizados do seu estado.

Diferença prática entre CUB e SINAPI

Ambos são referências legítimas de custo, mas servem a propósitos diferentes. Entender quando usar cada um é fundamental para a qualidade da estimativa.

Quando usar o CUB

  • Estudos de viabilidade econômica
  • Estimativas rápidas na fase de concepção do projeto
  • Reajuste de contratos de incorporação imobiliária
  • Comparação de custo entre regiões
  • Quando você ainda não tem projetos detalhados

Quando usar o SINAPI

  • Orçamentos analíticos detalhados
  • Obras públicas (obrigatório por lei)
  • Acompanhamento de medições durante a execução
  • Negociação com construtoras e empreiteiros
  • Quando você tem projetos completos e quantitativos levantados

Comparação direta

CUB:

  • Unidade: R$/m² por tipologia
  • Responsável: Sinduscons estaduais
  • Norma: NBR 12.721:2006
  • Nível de detalhe: Custo global por m²
  • Precisão: Baixa a média (15% a 30% de variação)
  • Uso ideal: Viabilidade e estimativas iniciais
  • Periodicidade: Mensal

SINAPI:

  • Unidade: R$/unidade de serviço (m², m³, un, m)
  • Responsável: Caixa/IBGE
  • Norma: Decreto 7.983/2013
  • Nível de detalhe: Composições analíticas com insumos
  • Precisão: Alta (3% a 10% de variação)
  • Uso ideal: Orçamentos detalhados e licitações
  • Periodicidade: Mensal

Importante: Os dois sistemas são complementares, não concorrentes. O fluxo ideal é: usar o CUB para verificar a viabilidade inicial e, uma vez aprovado o projeto, elaborar o orçamento analítico com composições SINAPI. Para entender como fazer essa transição, veja nosso guia sobre como fazer um orçamento de obra completo.

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BDI: o que é e como calcular

O BDI (Benefícios e Despesas Indiretas) é o percentual aplicado sobre o custo direto da obra para cobrir todos os custos que não estão diretamente vinculados a um serviço específico, além do lucro do construtor.

O preço final de venda de cada serviço é calculado como:

Preço de venda = Custo direto x (1 + BDI)

Componentes do BDI

O BDI é composto por diferentes parcelas, cada uma com sua faixa de referência. Abaixo, as faixas típicas para obras residenciais de médio porte:

Administração central:

  • Faixa: 3% a 6%
  • Descrição: rateio dos custos da sede da construtora (escritório, contabilidade, departamento pessoal, diretoria)

Seguro e garantia:

  • Faixa: 0,5% a 1,5%
  • Descrição: seguro de risco de engenharia, seguro de responsabilidade civil, garantias contratuais

Risco:

  • Faixa: 0,5% a 1,5%
  • Descrição: margem para cobrir imprevistos não quantificáveis no orçamento

Despesas financeiras:

  • Faixa: 0,5% a 2%
  • Descrição: custo do capital de giro necessário para antecipar pagamentos de materiais e mão de obra antes do recebimento das medições

Tributos:

  • Faixa: 6% a 12%
  • Descrição: PIS, COFINS, ISS, IRPJ, CSLL (variam conforme regime tributário e município)

Lucro:

  • Faixa: 5% a 10%
  • Descrição: remuneração do construtor/incorporador pelo trabalho, investimento e risco

Faixas de BDI de referência

  • Obras residenciais privadas (pequeno porte): 25% a 35%
  • Obras residenciais privadas (médio porte): 22% a 30%
  • Obras públicas - construção de edifícios: 20,34% a 25,00% (referência TCU - Acórdão 2622/2013)
  • Obras públicas - construção de rodovias: 18,75% a 24,23% (referência TCU)
  • Obras de reforma: 26% a 38% (maior risco e imprevisibilidade)

Importante: O BDI não é um número arbitrário. Cada componente deve ser calculado individualmente, considerando o porte da obra, regime tributário da empresa, prazo de execução e condições contratuais. Um BDI subdimensionado compromete a qualidade da obra; um superdimensionado encarece o projeto desnecessariamente.

Cálculo do BDI - fórmula

A fórmula recomendada pelo TCU para cálculo do BDI é:

BDI = ((1 + AC + S + R + G) x (1 + DF) x (1 + L)) / (1 - I) - 1

Onde:

  • AC = taxa de administração central
  • S = taxa de seguros
  • R = taxa de riscos
  • G = taxa de garantias
  • DF = taxa de despesas financeiras
  • L = taxa de lucro
  • I = taxa de incidência de impostos

Exemplo numérico:

  • AC = 4%, S = 0,8%, R = 1%, G = 0%, DF = 1%, L = 7%, I = 8,65%
  • BDI = ((1 + 0,04 + 0,008 + 0,01 + 0) x (1 + 0,01) x (1 + 0,07)) / (1 - 0,0865) - 1
  • BDI = (1,058 x 1,01 x 1,07) / 0,9135 - 1
  • BDI = 1,1429 / 0,9135 - 1
  • BDI = 0,2511 ou 25,11%

Custo de mão de obra por m²

A mão de obra é, na maioria dos casos, o componente de maior peso no custo total da obra. Compreender sua composição é essencial para um orçamento realista.

Composição do custo de mão de obra

O custo da mão de obra não se resume ao salário do trabalhador. Ele inclui:

  • Salário-base conforme piso da categoria (Convenção Coletiva de Trabalho)
  • Encargos sociais e trabalhistas: INSS, FGTS, férias, 13º salário, aviso prévio, vale-transporte, vale-alimentação, EPI, seguro acidente de trabalho
  • Encargos complementares: repouso semanal remunerado, feriados, faltas justificadas, licenças
  • Encargos incidentais: rescisão, multa FGTS, aviso prévio indenizado

Os encargos sociais podem representar de 80% a 130% sobre o salário-base, dependendo do regime de contratação (CLT, MEI, cooperativa) e da convenção coletiva regional.

Faixas de custo de mão de obra por m²

Padrão Baixo:

  • Mão de obra por m²: R$ 600 a R$ 900
  • Percentual no custo total: 45% a 55%
  • Perfil: obras com menor complexidade e acabamentos simples

Padrão Normal:

  • Mão de obra por m²: R$ 900 a R$ 1.400
  • Percentual no custo total: 40% a 50%
  • Perfil: obras residenciais com acabamento intermediário

Padrão Alto:

  • Mão de obra por m²: R$ 1.400 a R$ 2.200
  • Percentual no custo total: 35% a 45%
  • Perfil: obras com alto grau de detalhamento e acabamentos premium

Importante: Esses valores são estimativas nacionais. A disponibilidade de mão de obra qualificada na região impacta diretamente o custo. Em capitais com mercado aquecido, o custo pode ser 30% a 50% superior ao interior.

Regime de contratação e impacto no custo

A forma de contratação da mão de obra impacta significativamente o custo final:

  • CLT direta: maior custo com encargos, mas maior controle sobre equipe e qualidade
  • Empreitada por serviço: preço fechado por unidade de serviço (ex: R$/m² de alvenaria), risco transferido ao empreiteiro
  • Empreitada global: preço fechado para toda a obra, com escopo bem definido no memorial descritivo e formalizado em contrato de obra

A escolha do regime depende do porte da obra, da capacidade de fiscalização do proprietário e do nível de detalhamento dos projetos.

Cronograma físico-financeiro

O cronograma físico-financeiro é o documento que distribui os custos da obra ao longo do tempo, vinculando cada desembolso às etapas de execução. Ele é obrigatório em obras públicas e altamente recomendado em qualquer obra privada.

Por que o cronograma é essencial

Sem cronograma físico-financeiro, o proprietário não sabe:

  • Quanto vai precisar desembolsar em cada mês
  • Se a obra está adiantada ou atrasada em relação ao planejado
  • Se os custos realizados estão dentro do orçado
  • Quando comprar materiais para aproveitar melhores condições de pagamento

O cronograma transforma o orçamento estático em uma ferramenta dinâmica de gestão.

Estrutura do cronograma

Um cronograma físico-financeiro bem elaborado contém:

  • Etapas de obra organizadas na sequência de execução (serviços preliminares, fundações, estrutura, alvenaria, instalações, acabamentos)
  • Peso percentual de cada etapa no custo total
  • Distribuição mensal dos custos, considerando o prazo de execução de cada etapa
  • Acumulado mensal e geral, permitindo visualizar o fluxo de caixa

Distribuição típica de custos por etapa

Serviços preliminares e canteiro: 2% a 5%

  • Limpeza do terreno, tapume, barracão, instalações provisórias

Fundações: 5% a 12%

  • Estacas, blocos, vigas baldrames (varia muito conforme tipo de solo)

Estrutura: 15% a 25%

  • Formas, armaduras, concretagem de pilares, vigas e lajes

Alvenaria: 5% a 8%

  • Paredes de vedação, vergas, contravergas

Instalações hidráulicas e sanitárias: 6% a 10%

  • Tubulações de água fria, quente, esgoto, pluvial, louças e metais

Instalações elétricas: 5% a 8%

  • Eletrodutos, fiação, quadros, interruptores, tomadas, iluminação

Cobertura: 4% a 7%

  • Estrutura de madeira ou metálica, telhas, rufos, calhas

Revestimentos: 10% a 18%

  • Chapisco, emboço, reboco, contrapiso, revestimentos cerâmicos

Esquadrias: 5% a 10%

  • Portas, janelas, vidros, ferragens

Pintura: 4% a 6%

  • Massa corrida, selador, tinta acrílica ou PVA

Pisos: 5% a 10%

  • Contrapiso, piso cerâmico, porcelanato, piso de madeira

Limpeza e entrega: 1% a 2%

Dica: Na Concretu, o cronograma físico-financeiro é gerado automaticamente a partir do orçamento, com distribuição mensal e curva S de acompanhamento. Isso permite planejar o fluxo de caixa antes mesmo de iniciar a obra.

Curva S - acompanhamento visual

A curva S é a representação gráfica do cronograma físico-financeiro. Ela mostra o percentual acumulado de custo (ou de avanço físico) ao longo do tempo. O formato em "S" é natural porque obras começam devagar (mobilização), aceleram na fase intermediária (estrutura e acabamentos) e desaceleram no final (arremates e limpeza).

Comparando a curva planejada com a curva realizada, é possível identificar rapidamente se a obra está:

  • Acima da curva: gastando mais que o previsto (alerta de estouro)
  • Sobre a curva: dentro do planejado
  • Abaixo da curva: gastando menos, o que pode indicar atraso na execução

Como reduzir custos sem perder qualidade

Reduzir o custo de uma obra não significa usar materiais inferiores ou cortar etapas. As maiores economias vêm do planejamento e da gestão. Abaixo, 10 estratégias comprovadas.

1. Defina o projeto completo antes de iniciar a obra

Alterações de projeto durante a execução são a principal causa de estouro de orçamento. Cada mudança gera retrabalho, desperdício de material e perda de produtividade. Invista em projetos completos (arquitetônico, estrutural, instalações) e em um memorial descritivo detalhado antes de iniciar.

2. Faça um orçamento analítico detalhado

Não se baseie apenas no custo por m². Um orçamento analítico com composições de custo unitário permite identificar onde estão os maiores custos e onde há margem para otimização.

3. Negocie com fornecedores com antecedência

Compras de última hora são sempre mais caras. Com o cronograma físico-financeiro, você sabe exatamente quando cada material será necessário e pode negociar com antecedência, comparar preços e aproveitar condições de pagamento melhores.

4. Padronize acabamentos

Usar muitas variações de revestimento, louças e metais encarece a obra por conta de lotes mínimos, múltiplos fornecedores e maior complexidade de execução. Padronizar reduz custos de aquisição e de mão de obra.

5. Otimize a modulação do projeto

Projetos que respeitam as dimensões modulares dos materiais (blocos, revestimentos, esquadrias) geram menos cortes, menos desperdício e mais produtividade. Um bloco cerâmico de 14 x 19 x 39 cm dita a modulação de paredes; respeitá-la evita cortes e perdas.

6. Escolha o sistema construtivo adequado

Nem toda obra precisa ser em alvenaria convencional. Sistemas como alvenaria estrutural, steel frame, wood frame ou concreto pré-moldado podem ser mais econômicos dependendo do porte, prazo e região. Avalie com o projetista antes de decidir.

7. Controle o desperdício de materiais

O índice médio de desperdício na construção civil brasileira é de 8% a 15%. Medidas simples reduzem esse número: recebimento conferido de materiais, armazenamento adequado, equipes treinadas e controle de estoque.

8. Acompanhe medições semanalmente

Não espere o final do mês para verificar se os custos estão dentro do orçado. Medições semanais de avanço físico e consumo de materiais permitem detectar desvios cedo, quando ainda é possível corrigir.

9. Evite horas extras e retrabalho

Horas extras custam 50% a 100% mais que horas normais. Retrabalho consome material dobrado e tempo. Ambos são sintomas de planejamento deficiente, projetos incompletos ou fiscalização ausente.

10. Use tecnologia para orçar e acompanhar

Planilhas manuais são propensas a erros e difíceis de atualizar. Ferramentas especializadas de orçamentação e acompanhamento de obra reduzem o tempo de elaboração, minimizam erros e facilitam a tomada de decisão.

Dica: Na Concretu, você pode gerar orçamentos analíticos, cronogramas e relatórios de acompanhamento usando inteligência artificial. O tempo de elaboração cai de dias para minutos, e o nível de detalhe é profissional.

Checklist do planejamento financeiro da obra

Antes de iniciar qualquer obra, verifique se todos os itens abaixo estão cobertos. Este checklist serve como um guia prático para evitar surpresas financeiras.

Fase de concepção

  • Programa de necessidades definido (número de cômodos, áreas, funcionalidades)
  • Terreno adquirido ou com proposta aceita
  • Estudo topográfico realizado
  • Sondagem do solo realizada (para definir tipo de fundação)
  • Estimativa paramétrica de custo com base no CUB
  • Viabilidade financeira confirmada (recursos próprios + financiamento)

Fase de projeto

  • Projeto arquitetônico completo e aprovado na prefeitura
  • Projeto estrutural com memorial de cálculo
  • Projeto de instalações hidráulicas e sanitárias
  • Projeto de instalações elétricas e telefônicas
  • Projeto de instalações de gás (se aplicável)
  • Projeto de prevenção contra incêndio (PPCI/AVCB)
  • Memorial descritivo detalhado com especificações de acabamentos
  • ART/RRT de todos os projetos

Fase de orçamentação

  • Levantamento completo de quantitativos
  • Orçamento analítico com composições unitárias
  • BDI calculado com componentes individualizados
  • Curva ABC de insumos e serviços
  • Cronograma físico-financeiro elaborado
  • Reserva de contingência definida (10% a 15%)
  • Fluxo de caixa projetado mês a mês

Fase de contratação

  • Pelo menos 3 propostas de construtoras/empreiteiros
  • Contrato de empreitada com escopo, prazo, preço e condições de pagamento
  • Cronograma de medições vinculado ao físico-financeiro
  • Seguro de risco de engenharia contratado
  • Matrícula da obra no CEI/CNO (INSS)
  • Alvará de construção emitido

Fase de execução

  • Medições semanais de avanço físico
  • Comparação mensal entre orçado e realizado
  • Controle de notas fiscais e pagamentos
  • Registro fotográfico de etapas concluídas
  • Atualização do cronograma em caso de desvios
  • Controle de alterações de projeto com impacto no custo

Fase de encerramento

  • Habite-se emitido
  • CND da obra (Certidão Negativa de Débitos - INSS)
  • Averbação da construção no Registro de Imóveis
  • As-built (projeto como construído) atualizado
  • Balanço final: custo total realizado vs. orçado
  • Documentação arquivada para garantias

Fontes e referências

Para consultar as fontes oficiais utilizadas neste artigo e manter seus orçamentos atualizados:


Valores apresentados neste artigo são estimativas de referência baseadas em dados nacionais de 2025/2026. Os custos reais variam conforme região, condições de mercado, especificações de projeto e período de execução. Para orçamentos com validade contratual, consulte sempre as tabelas SINAPI e CUB atualizadas do seu estado e contrate um profissional habilitado.

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