SINAPI: O Que É e Como Consultar a Tabela Atualizada

O SINAPI é a principal referência de custos da construção civil no Brasil. Utilizado obrigatoriamente em obras públicas federais e amplamente adotado no setor privado, ele é uma ferramenta indispensável para qualquer profissional que trabalha com orçamentos de obra.
Neste artigo
- O que é o SINAPI
- Como o SINAPI é organizado
- Desonerado vs. não desonerado
- Como consultar o SINAPI
- Como usar o SINAPI em orçamentos
- Limitações e como contorná-las
- SINAPI vs. CUB: quando usar cada um
- Perguntas frequentes
O que é o SINAPI?
O Sistema Nacional de Pesquisa de Custos e Índices da Construção Civil (SINAPI) é mantido pela Caixa Econômica Federal em parceria com o IBGE. Ele fornece dois tipos principais de informação:
- Preços de insumos — valores de materiais, mão de obra e equipamentos pesquisados em todo o Brasil
- Composições de custos — detalhamento de todos os insumos necessários para executar cada serviço da construção civil
O SINAPI foi criado nos anos 1960, mas ganhou força legal com o Decreto nº 7.983/2013, que o tornou referência obrigatória para obras e serviços de engenharia contratados com recursos da União. Desde então, passou por expansão significativa.
Hoje, a base do SINAPI conta com:
- Mais de 10.000 composições de serviços
- Mais de 5.000 insumos com preços pesquisados mensalmente
- Cobertura de todas as 27 unidades da federação
- Atualização mensal de preços e composições
Importante: O SINAPI é a referência oficial para orçamentos de obras públicas federais. Utilizar preços acima do SINAPI sem justificativa técnica pode configurar sobrepreço e gerar problemas com órgãos de controle como o TCU.
Como o SINAPI é organizado
Catálogo de composições
As composições SINAPI são organizadas em grandes grupos que seguem a sequência construtiva. Cada composição possui um código numérico único e uma descrição detalhada do serviço.
| Grupo | Exemplos de serviços |
|---|---|
| Serviços preliminares | Limpeza, tapume, barracão, locação de obra |
| Movimento de terra | Escavação, aterro, compactação, transporte |
| Fundações | Sapata, estaca, radier, tubulão |
| Estruturas | Formas, armaduras, concretagem, lajes |
| Paredes e painéis | Alvenaria de blocos, divisórias, drywall |
| Cobertura | Estrutura de madeira, telhas, calhas, rufos |
| Instalações elétricas | Fiação, quadros, tomadas, disjuntores, luminárias |
| Instalações hidrossanitárias | Tubulação, conexões, louças, metais |
| Revestimentos | Chapisco, reboco, emboço, massa corrida |
| Pisos | Contrapiso, cerâmica, porcelanato, cimentado |
| Pintura | Massa PVA, tinta acrílica, tinta a óleo, verniz |
| Esquadrias | Portas, janelas, vidros, ferragens |
Exemplo de código: a composição 87878 corresponde a "Alvenaria de blocos cerâmicos de vedação". Cada composição lista todos os insumos, seus coeficientes de consumo e as unidades de medida.
Preços de insumos
Os preços são pesquisados mensalmente pelo IBGE em estabelecimentos comerciais de todas as unidades da federação. A pesquisa coleta preços de materiais de construção, salários de profissionais e custos de aluguel de equipamentos.
São publicados preços em duas versões:
- Mediana — valor central da pesquisa, usado como referência em orçamentos
- Máximo e mínimo — extremos da pesquisa, úteis para análise de mercado
Relatórios mensais
Todo mês, a Caixa publica relatórios com os custos atualizados por estado. Esses relatórios incluem:
- Preços de insumos por UF
- Custos de composições analíticas (detalhadas)
- Custos de composições sintéticas (resumidas)
- Índices de variação mensal e acumulada
Desonerado vs. não desonerado
O SINAPI publica duas tabelas de preços, e a escolha entre elas é fundamental para a precisão do orçamento:
Tabela não desonerada
Considera os encargos sociais completos sobre a mão de obra. É a versão padrão para empresas que recolhem contribuição previdenciária sobre a folha de pagamento.
Tabela desonerada
Aplica alíquotas reduzidas de encargos sociais, conforme a Lei 12.844/2013. Destinada a empresas que optaram pela desoneração da folha e recolhem sobre a receita bruta.
| Aspecto | Não desonerada | Desonerada |
|---|---|---|
| Encargos sociais | Completos (aprox. 80% a 120%) | Reduzidos (aprox. 50% a 80%) |
| Base de cálculo INSS | Folha de pagamento | Receita bruta |
| Uso em obras públicas | Quando o edital não especifica | Quando o edital prevê desoneração |
| Preço final dos serviços | Mais alto | Mais baixo |
Dica: Em obras públicas, o edital deve especificar qual tabela utilizar. Se não especificar, adote a versão não desonerada, que é mais conservadora.
Consulte o SINAPI em segundos
Na Concretu, basta perguntar pelo código ou descrição do serviço. A IA retorna composições, coeficientes e custos atualizados instantaneamente.
Como consultar o SINAPI
Portal da Caixa (consulta manual)
O site oficial da Caixa Econômica Federal disponibiliza os relatórios mensais em PDF e planilhas. O acesso é gratuito. A consulta exige navegar por grandes arquivos, identificar códigos e cruzar informações entre diferentes relatórios.
Passos para consulta manual:
- Acesse o site da Caixa na seção SINAPI
- Selecione o estado e o mês de referência
- Escolha entre relatório desonerado ou não desonerado
- Baixe o arquivo (PDF ou planilha)
- Localize o código da composição ou insumo desejado
- Anote o preço unitário
Via IA na Concretu
Na Concretu, a consulta ao SINAPI é instantânea. Basta perguntar em linguagem natural:
- "Qual o custo SINAPI para concreto fck 30 MPa bombeado em São Paulo?"
- "Me mostre a composição SINAPI 94965"
- "Qual o preço do aço CA-50 em Minas Gerais no SINAPI?"
- "Liste as composições SINAPI para alvenaria estrutural"
A IA retorna código, descrição, coeficientes e custo atualizado instantaneamente. Sem precisar baixar PDFs ou navegar em planilhas extensas.
Dica: Com a Concretu, você consulta composições SINAPI, monta orçamentos e gera planilhas orçamentárias diretamente pelo chat. Teste grátis por 7 dias.
Como usar o SINAPI em orçamentos
Para montar um orçamento completo com base no SINAPI, siga estas etapas:
1. Identifique os serviços
Analise os projetos e o memorial descritivo para listar todos os serviços necessários. Encontre as composições SINAPI correspondentes a cada serviço.
2. Verifique os coeficientes
Para cada composição, confira os coeficientes de consumo dos insumos. Eles indicam a quantidade de cada material e mão de obra necessária por unidade de serviço.
3. Aplique os preços do estado e mês corretos
Multiplique os coeficientes pelos preços unitários do estado e mês de referência desejados. Use a versão desonerada ou não desonerada conforme o regime da empresa.
4. Calcule o custo unitário
Some os custos de todos os insumos para obter o preço unitário da composição. Esse é o custo direto do serviço por unidade de medida.
5. Multiplique pela quantidade
Aplique o custo unitário à quantidade levantada nos projetos para obter o custo total de cada serviço.
6. Aplique o BDI
Adicione o BDI (Benefícios e Despesas Indiretas) para chegar ao preço de venda. O TCU recomenda faixas de BDI entre 20% e 30% para obras de construção civil.
Importante: Em obras públicas, o custo global da obra não pode superar o custo obtido com a tabela SINAPI acrescido do BDI, conforme determina o Decreto nº 7.983/2013.
Limitações e como contorná-las
Apesar de ser a referência mais completa do Brasil, o SINAPI possui algumas limitações:
Nem todos os serviços estão contemplados
Serviços mais específicos, modernos ou regionais podem não ter composição no SINAPI. Exemplos: sistemas de automação residencial, algumas técnicas de impermeabilização e métodos construtivos inovadores.
Como contornar: Crie composições próprias (composições auxiliares). Em obras públicas, justifique tecnicamente e utilize preços de insumos do SINAPI quando disponíveis.
Preços podem divergir em regiões remotas
Os preços medianos do SINAPI refletem mercados urbanos consolidados. Em regiões remotas ou de difícil acesso, os preços reais podem ser significativamente superiores.
Como contornar: Faça cotação direta com fornecedores locais e justifique a diferença em relação ao SINAPI. Considere custos de frete como item separado na planilha.
Atualização mensal pode ser insuficiente
Em períodos de alta volatilidade de preços, a defasagem de 30 a 60 dias entre a pesquisa e a publicação pode impactar a precisão.
Como contornar: Monitore tendências de mercado e aplique índices de projeção quando necessário, especialmente para materiais com alta variação (aço, cimento, cobre).
SINAPI vs. CUB: quando usar cada um
O CUB e o SINAPI são complementares, mas servem a propósitos diferentes:
| Aspecto | SINAPI | CUB |
|---|---|---|
| Tipo de informação | Composições detalhadas por serviço | Custo por m² por tipologia |
| Nível de detalhe | Analítico (insumo por insumo) | Paramétrico (custo global) |
| Uso principal | Orçamentos analíticos, licitações | Estimativas rápidas, reajustes |
| Obrigatoriedade | Obras públicas federais | Incorporações (reajuste contratual) |
| Precisão | Alta (3% a 5%) | Baixa a média (15% a 30%) |
| Publicação | Caixa/IBGE (mensal) | Sinduscons estaduais (mensal) |
Na prática, o CUB é útil para estimativas iniciais e estudos de viabilidade. O SINAPI é utilizado para o orçamento analítico detalhado que fundamenta a execução da obra.
Profissionais frequentemente combinam ambos: usam o CUB para uma estimativa rápida na fase de concepção e depois detalham com o SINAPI na fase de projeto executivo.
O SINAPI é uma ferramenta poderosa e indispensável para qualquer profissional da construção civil. Com o acesso facilitado por ferramentas de IA, consultar composições e preços se tornou uma tarefa rápida e acessível.


