Como Fazer um Orçamento de Obra Completo em 2026

Um orçamento de obra bem elaborado é a base de qualquer projeto de construção civil. Ele define o investimento necessário, orienta decisões de projeto e garante que a obra não ultrapasse o limite financeiro. Sem um orçamento confiável, qualquer construção corre o risco de paralisar por falta de recursos.
Neste artigo
- O que é um orçamento de obra
- Tipos de orçamento
- Etapas para elaborar um orçamento completo
- Composição do BDI
- Erros comuns em orçamentos de obra
- Como a IA pode ajudar no orçamento
- Perguntas frequentes
O que é um orçamento de obra?
O orçamento de obra é o documento que estima todos os custos envolvidos na execução de um projeto de construção. Ele abrange materiais, mão de obra, equipamentos, encargos sociais, custos indiretos e margem de lucro.
Um bom orçamento não é um "chute". É um levantamento técnico fundamentado em quantitativos reais e preços de referência como o SINAPI e o CUB.
Na prática, o orçamento serve para:
- Definir o investimento total necessário para a obra
- Comparar propostas de diferentes construtoras
- Acompanhar gastos durante a execução
- Fundamentar pedidos de financiamento junto a bancos
- Embasar licitações em obras públicas
Importante: Em obras públicas federais, o orçamento deve obrigatoriamente utilizar o SINAPI como referência de custos, conforme Decreto nº 7.983/2013.
Tipos de orçamento
Existem diferentes níveis de detalhamento conforme a fase do projeto. Cada tipo atende a uma necessidade específica.
Estimativa de custo (orçamento paramétrico)
Utiliza o custo por metro quadrado, como o CUB, multiplicado pela área do projeto. É rápido e útil para estudos de viabilidade e decisões iniciais. A precisão fica entre 15% e 30% de variação.
Orçamento preliminar
Detalha os principais grupos de serviço (fundações, estrutura, alvenaria, instalações, acabamentos) com base em composições simplificadas. A precisão melhora para a faixa de 10% a 15%.
Orçamento analítico (detalhado)
É o orçamento completo. Cada serviço possui composição de custo unitário com todos os insumos discriminados. Este é o nível exigido para licitações públicas, contratos de empreitada e acompanhamento de obra. A precisão esperada fica entre 3% e 5%.
Orçamento executivo
Atualização do orçamento analítico durante a execução, incorporando preços reais negociados, quantitativos medidos em campo e alterações de projeto.
Etapas para elaborar um orçamento completo
1. Levantamento de quantitativos
O primeiro passo é quantificar todos os serviços e materiais necessários. Isso exige a leitura cuidadosa dos projetos arquitetônico, estrutural e de instalações, além do memorial descritivo.
Cada item deve ser medido na unidade correta:
- Metros lineares (m) para tubulações, rodapés e meio-fio
- Metros quadrados (m²) para pisos, paredes, pintura e formas
- Metros cúbicos (m³) para concreto, aterro e escavação
- Quilogramas (kg) para aço e armaduras
- Unidade (un) para louças, pontos elétricos e esquadrias
- Verba (vb) para itens de difícil quantificação
Dica: Erros no levantamento de quantitativos se propagam por todo o orçamento. Confira as medições pelo menos duas vezes e cruze com as informações do memorial descritivo.
2. Composição de custos unitários
Para cada serviço identificado, é preciso montar a composição de custo unitário. Ela detalha os insumos (materiais, mão de obra e equipamentos) e seus coeficientes de consumo.
As principais fontes de composições são:
- SINAPI — mantido pela Caixa e IBGE, obrigatório para obras públicas federais. Possui mais de 10.000 composições.
- TCPO — Tabelas de Composições de Preços para Orçamentos, referência tradicional do mercado privado.
- Composições próprias — Para serviços específicos que não constam nas tabelas de referência. Em obras públicas, devem ser justificadas tecnicamente.
Exemplo simplificado de composição para 1 m² de alvenaria de blocos cerâmicos:
| Insumo | Unidade | Coeficiente | Preço unitário | Custo |
|---|---|---|---|---|
| Bloco cerâmico 9x19x29cm | un | 25,00 | R$ 0,85 | R$ 21,25 |
| Argamassa de assentamento | m³ | 0,012 | R$ 520,00 | R$ 6,24 |
| Pedreiro | h | 0,90 | R$ 28,00 | R$ 25,20 |
| Servente | h | 0,45 | R$ 18,00 | R$ 8,10 |
| Total | m² | R$ 60,79 |
3. Pesquisa de preços
Os preços unitários dos insumos devem refletir a realidade do mercado local. Existem diferentes fontes:
- SINAPI — preços medianos pesquisados pelo IBGE em todo o Brasil, com versões desonerada e não desonerada
- CUB — custo por m² calculado por estado, útil para estimativas rápidas
- Cotação direta — consulta a fornecedores locais para obter preços negociados
- Bases privadas — tabelas de referência regionais e setoriais
Para obras públicas, o preço mediano do SINAPI é a referência obrigatória. Para obras privadas, a cotação direta com fornecedores tende a ser mais precisa e permite negociação.
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4. Cálculo do BDI
O BDI (Benefícios e Despesas Indiretas) é o percentual adicionado ao custo direto para cobrir despesas que não estão nas composições. A fórmula básica é:
Preço de venda = Custo direto × (1 + BDI)
O BDI é composto por itens distintos que devem ser calculados separadamente para garantir transparência.
5. Montagem da planilha orçamentária
A planilha final organiza todos os itens em uma estrutura hierárquica por etapas da obra. A organização mais comum segue a sequência construtiva:
- Serviços preliminares e instalações provisórias
- Movimento de terra
- Fundações
- Superestrutura (concreto armado)
- Alvenaria e vedações
- Cobertura
- Instalações elétricas
- Instalações hidrossanitárias
- Revestimentos internos e externos
- Pisos e pavimentações
- Esquadrias
- Pinturas
- Limpeza final e serviços complementares
Cada item da planilha apresenta: descrição do serviço, unidade de medida, quantidade, preço unitário (com BDI) e preço total.
6. Cronograma físico-financeiro
Após a planilha, elabore o cronograma físico-financeiro. Ele distribui os custos ao longo do tempo de execução, geralmente mês a mês.
O cronograma é essencial para:
- Planejar o fluxo de caixa da obra
- Programar compras de materiais com antecedência
- Acompanhar medições em obras públicas
- Identificar os meses de pico de investimento
- Negociar liberação de recursos com bancos
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Composição do BDI
O BDI é um dos pontos mais críticos do orçamento. Um BDI mal calculado pode gerar prejuízo ou tornar a proposta não competitiva.
| Componente | Faixa típica | Descrição |
|---|---|---|
| Administração central | 3% a 6% | Custos do escritório, diretoria e equipe administrativa |
| Seguros e garantias | 0,5% a 1,5% | Seguro de obra, garantia contratual, riscos de engenharia |
| Despesas financeiras | 0,5% a 1,5% | Custo do capital de giro e financiamento da obra |
| Tributos (ISS, PIS, COFINS) | 6% a 9% | Impostos incidentes sobre o faturamento |
| Lucro | 5% a 10% | Margem de lucro do construtor |
| BDI total | 20% a 30% | Faixa recomendada pelo TCU para obras públicas |
Importante: O Tribunal de Contas da União (TCU) publica periodicamente faixas de referência para o BDI. Valores fora dessas faixas devem ser justificados tecnicamente em obras públicas.
Erros comuns em orçamentos de obra
Identificar e evitar erros recorrentes é tão importante quanto saber montar o orçamento. Os erros mais frequentes são:
Subestimar quantitativos
Não considerar perdas e desperdícios. Dependendo do material, as perdas podem chegar a 10% ou 15%. A NBR 12721 define índices de perdas para os principais materiais da construção civil.
Usar preços desatualizados
A construção civil sofre reajustes constantes. Um orçamento com preços de 6 meses atrás pode estar defasado em 5% a 10%. Utilize sempre a tabela SINAPI do mês mais recente disponível.
Esquecer custos indiretos
Mobilização e desmobilização, administração local, equipamentos de proteção individual (EPIs), instalações provisórias e canteiro de obras são itens frequentemente esquecidos.
BDI incorreto
Não adequar o BDI ao tipo e porte da obra pode gerar prejuízo ou tornar a proposta não competitiva. O BDI de uma obra de pequeno porte é diferente do BDI de uma grande infraestrutura.
Não incluir margem de contingência
Imprevistos acontecem em toda obra. Uma reserva de contingência entre 5% e 10% do valor total é uma prática prudente, especialmente em reformas e obras com alto grau de incerteza.
Não revisar o orçamento
Todo orçamento deve ser revisado por outro profissional antes da aprovação final. Uma segunda revisão identifica erros de digitação, inconsistências e esquecimentos.
Como a IA pode ajudar no orçamento
A elaboração de orçamentos é uma das tarefas que mais se beneficiam da inteligência artificial na construção civil. As possibilidades incluem:
- Consulta instantânea de composições SINAPI e preços de insumos por estado
- Cálculo automático de quantitativos a partir de descrições do projeto
- Geração de planilhas orçamentárias estruturadas e organizadas
- Verificação de consistência entre quantitativos e composições
- Comparação de cenários com diferentes especificações de materiais
- Atualização rápida de preços quando a tabela de referência muda
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A IA não substitui o julgamento do profissional. Ela acelera o trabalho operacional e reduz erros de cálculo, permitindo que o orçamentista foque na análise crítica e na tomada de decisão.
Checklist final do orçamento
Antes de entregar o orçamento, confira se ele contém:
- Todos os serviços do projeto estão contemplados
- Quantitativos conferidos e com margens de perda
- Preços atualizados (mês/ano de referência indicado)
- BDI calculado e detalhado por componente
- Planilha organizada por etapas da obra
- Cronograma físico-financeiro vinculado
- Memorial de cálculo dos quantitativos
- Reserva de contingência prevista
- Revisão por segundo profissional realizada
Com organização, boas referências e as ferramentas certas, é possível elaborar orçamentos de obra detalhados e confiáveis. O segredo está no rigor do levantamento, na qualidade das fontes de preço e na revisão cuidadosa antes da entrega.


