Laudo Técnico de Engenharia: Como Fazer, Modelos e NBR 13752

O laudo técnico de engenharia é um dos documentos mais relevantes da construção civil. Ele registra formalmente a condição de uma edificação, identifica problemas estruturais e fundamenta decisões técnicas, jurídicas e financeiras. Seja para uma vistoria de imóvel antes da compra, uma inspeção predial obrigatória ou a análise de patologias após uma ocorrência, o laudo é a peça central que respalda o profissional e protege o contratante.
Para engenheiros e arquitetos, dominar a elaboração de laudos é uma competência essencial. Além do conhecimento técnico sobre materiais, estruturas e instalações, é necessário conhecer as normas aplicáveis — especialmente a NBR 13752 — e seguir uma metodologia que garanta clareza, rastreabilidade e validade jurídica. Um laudo mal elaborado pode ser contestado em perícia judicial, recusado por seguradoras ou simplesmente não cumprir sua função.
Este guia reúne tudo o que você precisa para elaborar laudos técnicos completos e profissionais: tipos de laudo, normas de referência, passo a passo detalhado, modelos de estrutura e como registrar a responsabilidade técnica via ART ou RRT.
Neste artigo
- O que é um laudo técnico de engenharia
- Tipos de laudos técnicos
- NBR 13752:2024 — o que você precisa saber
- Passo a passo para elaborar um laudo
- ART e RRT: registro de responsabilidade técnica
- Patologias mais comuns em edificações
- Modelo de estrutura de laudo técnico
- Como a IA pode ajudar na elaboração de laudos
- Perguntas frequentes
O que é um laudo técnico de engenharia
O laudo técnico é um documento formal elaborado por profissional habilitado — engenheiro civil ou arquiteto — que registra a análise técnica de uma edificação, estrutura ou componente construtivo. Ele descreve o que foi observado, apresenta diagnósticos e, quando aplicável, recomenda intervenções.
Diferente de um simples relatório, o laudo possui valor técnico-legal. Ele é acompanhado de ART (Anotação de Responsabilidade Técnica) ou RRT (Registro de Responsabilidade Técnica), o que vincula o profissional ao conteúdo declarado. Isso significa que o engenheiro ou arquiteto responde civil e criminalmente pelas informações registradas.
Quando o laudo técnico é exigido
As situações mais comuns que demandam laudos técnicos incluem:
- Compra e venda de imóveis — compradores e financiadores exigem laudos de vistoria para verificar o estado da edificação
- Reformas em condomínios — a NBR 16280 exige laudo técnico para reformas que alterem a estrutura ou fachada
- Sinistros e seguros — seguradoras solicitam laudos para análise de sinistros e pagamento de indenizações
- Disputas judiciais — laudos periciais são peças fundamentais em ações envolvendo vícios construtivos
- Inspeção predial obrigatória — diversas legislações municipais exigem inspeção periódica de edificações
- Regularização de imóveis — prefeituras podem exigir laudo para emissão de alvará e habite-se
Tipos de laudos técnicos
Existem diferentes tipos de laudo, cada um com escopo, metodologia e norma de referência específicos. A escolha do tipo correto é o primeiro passo para um trabalho bem fundamentado.
| Tipo | Objetivo | Norma de Referência | Quando Usar |
|---|---|---|---|
| Vistoria | Registrar o estado atual da edificação de forma descritiva | NBR 13752 | Compra/venda, entrega de obra, vistorias periódicas |
| Inspeção Predial | Identificar patologias, classificar riscos e recomendar intervenções | NBR 16747 | Manutenção predial, exigências legais municipais |
| Patologias | Diagnosticar causas de manifestações patológicas específicas | NBR 13752 + normas específicas | Fissuras, infiltrações, corrosão, recalques |
| Avaliação Imobiliária | Determinar o valor de mercado de um imóvel | NBR 14653 | Financiamento, desapropriação, partilha, garantias |
| Cautelar de Vizinhança | Registrar estado de imóveis vizinhos antes de uma obra | NBR 12722 | Obras de grande porte, escavações, fundações profundas |
Laudo de vistoria vs. inspeção predial
A confusão entre esses dois tipos é frequente. O laudo de vistoria é essencialmente descritivo: o profissional registra o que observa sem necessariamente analisar causas. Já a inspeção predial vai além — ela classifica cada anomalia por grau de risco (mínimo, regular ou crítico) e determina prioridades de intervenção.
Na prática, muitos contratantes solicitam um "laudo de vistoria" quando na verdade precisam de uma inspeção predial completa. Cabe ao profissional orientar o cliente e definir o escopo adequado. Vale lembrar que a inspeção predial também deve considerar as normas de desempenho aplicáveis à edificação.
NBR 13752:2024 — o que você precisa saber
A NBR 13752 é a norma da ABNT que estabelece os critérios para perícias de engenharia na construção civil. Sua revisão de 2024 trouxe atualizações importantes para refletir as práticas atuais da engenharia diagnóstica.
Escopo da norma
A NBR 13752:2024 se aplica a vistorias, inspeções, auditorias e perícias em edificações e obras de engenharia civil. Ela define terminologia, requisitos para o profissional, metodologia de trabalho e estrutura do documento final.
Principais requisitos
- Habilitação do profissional — o perito deve possuir formação compatível com o objeto da perícia e registro ativo no conselho profissional
- Metodologia declarada — o laudo deve explicitar os métodos utilizados (visual, instrumental, ensaios)
- Classificação de anomalias — quando aplicável, as anomalias devem ser classificadas por grau de risco e urgência
- Fundamentação técnica — todas as conclusões devem ser fundamentadas em observações, ensaios ou cálculos documentados
- Registro fotográfico — fotografias datadas e referenciadas são parte obrigatória do laudo
- Limitações e ressalvas — o profissional deve declarar limitações de acesso, condições climáticas adversas ou qualquer fator que tenha restringido a análise
O que mudou na revisão de 2024
A revisão de 2024 atualizou a terminologia para alinhar com outras normas do sistema ABNT, incluiu diretrizes mais claras sobre o uso de tecnologias (drones, termografia, escaneamento 3D), reforçou a necessidade de rastreabilidade das informações e ampliou os critérios de classificação de anomalias. Também foi aprimorada a integração com a NBR 16747 (inspeção predial) e a NBR 14653 (avaliação de imóveis).
Passo a passo para elaborar um laudo
A elaboração de um laudo técnico segue uma sequência lógica que vai do planejamento à entrega. Cada etapa é fundamental para a qualidade e validade do documento.
1. Definir o escopo
Antes de qualquer visita ao local, defina claramente:
- Tipo de laudo — vistoria, inspeção, patologia, avaliação ou cautelar
- Objetivo — qual pergunta o laudo deve responder
- Abrangência — toda a edificação ou apenas sistemas específicos
- Normas aplicáveis — quais normas serão referenciadas
- Prazo e entrega — data prevista para entrega do documento final
Formalize o escopo em uma proposta técnica antes de iniciar. Isso evita retrabalho e alinha expectativas com o contratante.
2. Vistoria in loco
A vistoria é o coração do laudo. O profissional deve inspecionar pessoalmente a edificação, observando todos os sistemas dentro do escopo definido.
Leve consigo os equipamentos básicos: trena, nível, fissurômetro, câmera fotográfica, lanterna e, quando necessário, equipamentos especializados como câmera termográfica, pachômetro ou drone. Registre tudo em um checklist estruturado — aqui, ter uma referência de checklists técnicos pode acelerar o trabalho.
3. Registro fotográfico
O registro fotográfico é obrigatório e deve ser sistemático:
- Fotografe cada ambiente e cada anomalia identificada
- Inclua referências de escala (trena, régua) nas fotos de patologias
- Registre data e hora (metadados EXIF ou anotação manual)
- Numere as fotos sequencialmente e referencie no texto do laudo
- Fotografe também as condições normais, não apenas os problemas
Dica: Organize o registro fotográfico por ambiente ou sistema (estrutura, vedação, instalações). Isso facilita a redação posterior e dá clareza ao leitor do laudo. Ferramentas de IA como a Concretu AI podem ajudar a estruturar o laudo a partir das suas anotações de campo, economizando horas de redação.
4. Análise técnica
Com os dados coletados, realize a análise técnica:
- Correlacione as anomalias observadas com possíveis causas
- Consulte normas técnicas para verificar conformidade
- Quando necessário, solicite ensaios complementares (resistência do concreto, aderência de revestimento, estanqueidade)
- Classifique as anomalias por grau de risco quando aplicável
A análise deve ser objetiva e baseada em evidências. Evite conclusões especulativas — se não há evidências suficientes, registre a limitação e recomende investigação complementar.
5. Redação do laudo
A redação deve ser clara, objetiva e seguir a estrutura normativa. Alguns princípios:
- Use linguagem técnica, mas acessível ao público-alvo (nem todo leitor será engenheiro)
- Referencie normas pelo número completo (ex: NBR 13752:2024)
- Numere seções, figuras e tabelas
- Inclua referências cruzadas entre texto e fotos
- Evite termos vagos como "aparentemente", "parece ser" — seja preciso
Se você já elabora memoriais descritivos, perceberá que a disciplina de redação técnica é similar: clareza, completude e rastreabilidade são os pilares.
6. Emissão de ART/RRT
Antes da entrega, emita a ART (CREA) ou RRT (CAU) vinculada ao laudo. Esse registro é obrigatório e confere validade legal ao documento. Sem ele, o laudo pode ser contestado e o profissional pode responder por exercício irregular da profissão.
7. Entrega e arquivamento
Entregue o laudo em formato digital (PDF assinado) e, quando solicitado, em via física. Mantenha uma cópia arquivada pelo prazo mínimo de 5 anos — recomenda-se 20 anos para laudos estruturais, conforme boas práticas de engenharia diagnóstica.
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ART e RRT: registro de responsabilidade técnica
O registro de responsabilidade técnica é o que diferencia um laudo de um simples relatório. Ele vincula formalmente o profissional ao documento e é exigido por lei para qualquer atividade técnica na construção civil.
| Aspecto | ART | RRT |
|---|---|---|
| Conselho | CREA (Conselho Regional de Engenharia e Agronomia) | CAU (Conselho de Arquitetura e Urbanismo) |
| Profissional | Engenheiros civis e demais modalidades | Arquitetos e urbanistas |
| Custo médio | R$ 90 a R$ 120 (varia por estado) | R$ 80 a R$ 130 (varia por estado) |
| Como emitir | Portal CREA do estado ou sistema SISCREA | Portal SICCAU (sistema nacional do CAU) |
| Validade | Vinculada ao escopo da atividade técnica | Vinculada ao escopo da atividade técnica |
| Base legal | Lei 6.496/1977 | Lei 12.378/2010 |
Quando emitir ART e quando emitir RRT
O tipo de registro depende exclusivamente do profissional que assina o laudo, não do tipo de edificação. Engenheiros civis registrados no CREA emitem ART. Arquitetos registrados no CAU emitem RRT. Em equipes multidisciplinares, cada profissional emite seu respectivo registro para a parte que lhe compete.
É importante ressaltar que o escopo do laudo deve ser compatível com a habilitação do profissional. Um engenheiro eletricista, por exemplo, não deve assinar laudos de patologias estruturais. Da mesma forma, profissionais que trabalham com aprovação de projetos devem estar atentos às atribuições permitidas pelo seu registro.
Patologias mais comuns em edificações
Conhecer as patologias mais frequentes é essencial para realizar vistorias eficientes e redigir laudos precisos. A seguir, as manifestações mais encontradas na prática.
Fissuras e trincas
Fissuras são aberturas lineares na superfície de elementos construtivos. São classificadas por abertura: fissuras (até 0,5 mm), trincas (0,5 a 1,5 mm) e rachaduras (acima de 1,5 mm).
- Causas comuns: recalque diferencial de fundações, retração do concreto, variação térmica, sobrecarga, falha de projeto ou execução
- Indicadores visuais: padrões a 45° sugerem recalque; horizontais em alvenaria sugerem dilatação térmica; mapeadas indicam retração
Infiltrações e umidade
A presença de umidade em elementos construtivos compromete a durabilidade, a salubridade e o conforto dos usuários.
- Causas comuns: falha na impermeabilização, ausência de pingadeiras, juntas de dilatação comprometidas, tubulações com vazamento
- Indicadores visuais: manchas escuras, eflorescência, bolhas na pintura, mofo, desplacamento de revestimento
Corrosão de armaduras
A corrosão das armaduras é uma das patologias mais graves em estruturas de concreto armado, pois compromete a capacidade portante do elemento.
- Causas comuns: cobrimento insuficiente, concreto de baixa qualidade, exposição a cloretos (ambiente marinho), carbonatação
- Indicadores visuais: manchas de ferrugem na superfície do concreto, lascamento do cobrimento, exposição das barras, redução de seção das armaduras
Recalque de fundação
O recalque ocorre quando o solo sob a fundação se deforma além do previsto, causando deslocamentos desiguais na estrutura.
- Causas comuns: investigação geotécnica insuficiente, dimensionamento inadequado da fundação, variação do lençol freático, escavações próximas, sobrecargas não previstas
- Indicadores visuais: fissuras inclinadas a 45° partindo de aberturas, desníveis em pisos, portas e janelas com dificuldade de abertura, afastamento entre elementos
Eflorescência
A eflorescência é o depósito de sais na superfície de elementos de alvenaria ou concreto, formando manchas esbranquiçadas.
- Causas comuns: presença de umidade + sais solúveis nos materiais (cimento, areia, tijolos), falta de impermeabilização
- Indicadores visuais: depósitos brancos cristalinos na superfície, geralmente próximos a juntas ou áreas com umidade
Dica prática: Ao documentar patologias, sempre registre a localização exata (pavimento, ambiente, face do elemento), a extensão (comprimento, área afetada) e a intensidade. Essas informações são indispensáveis para a análise técnica e para o acompanhamento de eventuais evoluções ao longo do tempo.
Modelo de estrutura de laudo técnico
A estrutura a seguir pode ser adaptada para diferentes tipos de laudo. Ela atende aos requisitos da NBR 13752:2024 e representa uma boa prática consolidada no mercado.
1. Capa
- Título do laudo (ex: "Laudo Técnico de Inspeção Predial")
- Identificação do imóvel (endereço completo)
- Nome do contratante
- Nome e registro do profissional responsável
- Data de emissão
- Número do laudo (controle interno)
2. Sumário
- Lista numerada de todas as seções e subseções do documento
3. Identificação do imóvel
- Endereço completo e georreferenciamento
- Tipologia (residencial, comercial, industrial, mista)
- Número de pavimentos e unidades
- Idade da edificação
- Área construída e área do terreno
- Dados do proprietário e do contratante
4. Objeto e escopo
- Finalidade do laudo
- Sistemas inspecionados
- Limitações de acesso
- Normas técnicas adotadas como referência
5. Metodologia
- Descrição dos métodos utilizados (inspeção visual, ensaios, medições)
- Equipamentos empregados
- Datas das vistorias
- Profissionais envolvidos
6. Constatações
- Descrição detalhada de cada anomalia ou constatação
- Referência ao registro fotográfico (ex: "Foto 12 — Fissura a 45° no pilar P3, pavimento térreo")
- Classificação por grau de risco, quando aplicável
7. Análise técnica
- Correlação entre anomalias e possíveis causas
- Referências normativas para cada diagnóstico
- Resultados de ensaios, quando realizados
- Avaliação de conformidade com normas de desempenho aplicáveis
8. Conclusão
- Síntese dos principais achados
- Parecer técnico sobre o estado geral da edificação
- Classificação geral de risco (quando aplicável)
9. Recomendações
- Intervenções recomendadas, organizadas por prioridade
- Prazo sugerido para cada intervenção
- Necessidade de investigações complementares
10. Anexos
- Registro fotográfico completo e numerado
- Croquis e plantas de localização
- Resultados de ensaios laboratoriais
- Cópia da ART ou RRT
- Documentos complementares (projetos, laudos anteriores)
Como a IA pode ajudar na elaboração de laudos
A elaboração de laudos técnicos exige conhecimento normativo atualizado, redação precisa e uma estrutura padronizada — exatamente o tipo de tarefa em que ferramentas de inteligência artificial podem agregar valor.
A Concretu AI permite que engenheiros e arquitetos gerem a estrutura completa de um laudo a partir da descrição do escopo da vistoria. O profissional informa o tipo de laudo, as características do imóvel e as constatações de campo, e a IA gera um documento estruturado com referências normativas, seções padronizadas e linguagem técnica adequada.
Fluxo de trabalho com IA
- Defina o escopo — informe o tipo de laudo e as características do imóvel
- Insira as constatações — descreva as anomalias observadas em campo
- Revise o documento gerado — a IA estrutura o laudo com seções normativas, mas a validação técnica é sempre do profissional
- Personalize e finalize — ajuste conclusões, adicione fotos e emita a ART/RRT
O ganho principal não é substituir o julgamento técnico do profissional, mas reduzir o tempo gasto com formatação, estruturação e referências normativas. Um laudo que levaria 6 a 8 horas para redigir pode ter sua primeira versão gerada em minutos.
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