Normas17 min de leitura08 de fevereiro de 2026

Normas Essenciais na Casa: Desempenho, Elétrica, Hidráulica e Checklist para Evitar Patologias

Normas Essenciais na Casa: Desempenho, Elétrica, Hidráulica e Checklist para Evitar Patologias
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Construir uma casa envolve muito mais do que levantar paredes e cobrir com telhado. Cada sistema da edificação - estrutura, elétrica, hidráulica, impermeabilização - precisa atender a normas técnicas específicas que garantem segurança, conforto e durabilidade. Ignorar essas normas não é apenas um risco técnico: é um risco à vida dos moradores e ao patrimônio investido. Este artigo reúne as normas mais importantes para uma construção residencial, explica o que cada uma exige na prática e oferece um checklist completo para evitar as patologias mais comuns.

Neste artigo

Por que normas técnicas importam

Normas técnicas da ABNT não são recomendações. São documentos de referência obrigatória que definem requisitos mínimos de segurança, habitabilidade e durabilidade das construções. Quando uma norma define um valor mínimo de isolamento acústico ou de resistência de aterramento, esse valor existe porque abaixo dele há risco real para os ocupantes.

Consequências práticas de ignorar normas

  • Risco à segurança - instalações elétricas sem aterramento causam choques fatais todos os anos no Brasil. Estruturas subdimensionadas podem colapsar. Falta de impermeabilização deteriora a estrutura por dentro.
  • Desvalorização do imóvel - uma edificação com trincas, mofo ou problemas elétricos perde valor de mercado rapidamente. Laudos de vistoria identificam essas falhas.
  • Custos de reparo elevados - corrigir uma falha de impermeabilização após o revestimento pode custar 5 a 10 vezes mais do que fazer corretamente na obra. Refazer aterramento com a casa pronta significa quebrar paredes.
  • Responsabilidade legal - o Código de Obras municipal exige conformidade com as normas da ABNT. Construtores e projetistas podem responder civil e criminalmente por falhas que causem danos.
  • Problemas de saúde - mofo por falta de ventilação causa problemas respiratórios. Pontes térmicas geram condensação e ambientes insalubres.

Na prática: a maioria das patologias em edificações residenciais - trincas, infiltrações, mofo, problemas elétricos - tem origem no descumprimento de normas técnicas durante projeto ou execução. Não se trata de má sorte. Trata-se de falta de técnica.

Quais normas são obrigatórias?

Não existe uma lista única e universal, pois as normas aplicáveis variam conforme o sistema construtivo e o tipo de edificação. Porém, para uma casa residencial convencional no Brasil, o conjunto mínimo obrigatório inclui:

  • NBR 15575 - desempenho geral da edificação habitacional
  • NBR 5410 - instalações elétricas de baixa tensão
  • NBR 5626 - instalações prediais de água fria e água quente
  • NBR 8160 - sistemas prediais de esgoto sanitário
  • NBR 9575 e NBR 9574 - projeto e execução de impermeabilização
  • NBR 6118 - projeto de estruturas de concreto armado (quando aplicável)
  • NBR 6122 - projeto e execução de fundações
  • NBR 15220 - desempenho térmico de edificações
  • Código de Obras municipal - regulamentação local da construção

Além dessas, dependendo do projeto, podem ser necessárias normas específicas para estruturas metálicas (NBR 8800), madeira (NBR 7190), gás (NBR 15526), proteção contra incêndio (NBR 9077), acessibilidade (NBR 9050), entre outras.

NBR 15575: desempenho da edificação

A NBR 15575 é a norma central da construção habitacional brasileira. Obrigatória desde 2013, ela define requisitos mínimos de desempenho para todos os sistemas da edificação: estrutura, pisos, paredes, cobertura e instalações hidrossanitárias.

Diferente das normas prescritivas (que dizem como construir), a NBR 15575 é uma norma de desempenho: define o que a edificação deve entregar. Isso dá liberdade ao projetista para escolher materiais e sistemas construtivos, desde que o resultado final atenda aos critérios.

A norma avalia desempenho em três níveis: Mínimo (M), Intermediário (I) e Superior (S). O nível Mínimo é obrigatório. Os demais são diferenciais de mercado.

Na prática, os aspectos que mais impactam a qualidade percebida pelo morador são o desempenho térmico, o acústico e a estanqueidade.

Desempenho térmico

O desempenho térmico define a capacidade da edificação de manter condições de conforto interno independentemente do clima externo. Na prática, isso significa paredes e coberturas que não deixem o calor entrar no verão nem o frio penetrar no inverno.

O que significa na prática:

  • Paredes externas devem ter resistência térmica e transmitância compatíveis com a zona bioclimática da região (o Brasil é dividido em 8 zonas)
  • A cobertura é o elemento mais crítico - recebe radiação solar direta e é responsável pela maior parte do ganho de calor
  • Ventilação natural é componente essencial do desempenho térmico. Aberturas devem ter dimensões mínimas proporcionais à área do piso
  • A cor externa das paredes e cobertura influencia diretamente a absorção de calor (cores claras refletem mais)

Como atender:

  • Consultar a zona bioclimática do município (NBR 15220) antes de especificar paredes e cobertura
  • Usar materiais com transmitância térmica compatível com a zona. Blocos cerâmicos com câmara de ar atendem a maioria das zonas; zonas mais quentes podem exigir isolamento adicional
  • Garantir ventilação cruzada nos ambientes de permanência prolongada (quartos e sala)
  • Em coberturas, considerar forro com câmara de ar ventilada, telhas com baixa absorção térmica ou isolamento sob a telha

Obras em regiões quentes (zonas bioclimáticas 7 e 8 - Norte e Nordeste do Brasil) exigem atenção redobrada com a cobertura. Sem tratamento adequado, a temperatura interna pode ultrapassar 40°C em dias de pico.

Desempenho acústico

O conforto acústico é um dos aspectos mais negligenciados em construções residenciais e um dos que mais geram reclamações de moradores, especialmente em edifícios multifamiliares.

A NBR 15575 define valores mínimos de isolamento sonoro entre unidades habitacionais e entre áreas comuns e unidades. Os parâmetros variam conforme o elemento construtivo:

ElementoParâmetroNível Mínimo
Parede entre unidadesDiferença padronizada de nível ponderada (DnT,w)45 dB
Parede entre unidade e área comum (corredor, escada)DnT,w40 dB
Piso entre unidades (ruído aéreo)DnT,w45 dB
Piso entre unidades (ruído de impacto)Nível de pressão sonora padronizado ponderado (L'nT,w)≤ 80 dB
Parede de dormitório (fachada)Diferença padronizada de nível ponderada (D2m,nT,w)20 a 30 dB (conforme classe de ruído)

Na prática:

  • Paredes de meia-vez (9 cm de bloco cerâmico com reboco dos dois lados) geralmente não atendem ao mínimo de 45 dB entre unidades
  • Lajes maciças de 10 cm para ruído aéreo podem atender, mas para ruído de impacto (pisada, queda de objetos) costumam exigir tratamento adicional (contrapiso flutuante ou manta acústica)
  • Janelas de alumínio com vidro simples de 4 mm oferecem isolamento limitado em fachadas expostas a vias movimentadas
  • Tubulações hidráulicas embutidas em paredes de dormitórios podem ser fonte de ruído quando não isoladas

Estanqueidade

Estanqueidade é a capacidade de impedir a passagem de água. É um dos requisitos mais críticos porque a água é o principal agente de deterioração das edificações.

O que cobrir:

  • Fachadas - paredes externas devem impedir a penetração de água de chuva. Revestimento argamassado com pintura adequada é o mínimo. Fissuras na fachada comprometem a estanqueidade.
  • Pisos de áreas molhadas - banheiros, cozinhas, áreas de serviço e varandas descobertas devem receber impermeabilização antes do revestimento. O sistema deve subir nas paredes (mínimo 30 cm, 1,80 m no box do banheiro).
  • Coberturas - devem impedir qualquer infiltração de água, tanto por chuva direta quanto por condensação. Telhas, rufos, calhas e impermeabilização de lajes devem funcionar como sistema integrado.
  • Juntas e encontros - junções entre piso e parede, encontros de paredes externas com esquadrias, e juntas de dilatação são pontos críticos. Devem receber tratamento específico (selantes, mantas de reforço).

A estanqueidade deve ser verificada antes do acabamento. O teste de lâmina d'água (encher o piso com 5 cm de água e manter por 72 horas) é simples, barato e evita retrabalho de alto custo.

NBR 5410: instalações elétricas

A NBR 5410 regulamenta instalações elétricas de baixa tensão (até 1000 V em corrente alternada). Em termos práticos, é a norma que define como deve ser feita toda a instalação elétrica de uma residência: do quadro de distribuição às tomadas, dos aterramentos aos disjuntores.

Problemas elétricos são a segunda maior causa de incêndios residenciais no Brasil (atrás apenas de velas e similares). A maioria dos acidentes decorre de instalações fora de norma.

O que a NBR 5410 exige na prática

  • Aterramento obrigatório - toda instalação residencial deve ter sistema de aterramento. Isso inclui haste de aterramento, condutor de proteção (fio terra) em todos os circuitos e ligação à barra de aterramento do quadro. Sem aterramento, dispositivos de proteção como o DR não funcionam.
  • Dispositivo diferencial residual (DR) - obrigatório em circuitos que alimentam pontos em áreas molhadas (banheiro, cozinha, área de serviço, área externa). O DR detecta fuga de corrente e desliga o circuito em milissegundos, prevenindo choques fatais.
  • Dimensionamento de circuitos - cada tipo de carga deve ter circuito independente. Tomadas de uso geral, tomadas de uso específico (chuveiro, ar condicionado, forno), iluminação - cada um com fiação e disjuntor próprios.
  • Quadro de distribuição - deve ter espaço reserva para futuros circuitos (mínimo 20% de reserva é boa prática). Deve ser acessível e identificado com etiquetas nos disjuntores.
  • Proteção contra surtos (DPS) - recomendado em todas as instalações e obrigatório quando a alimentação inclui linha aérea. Protege equipamentos contra sobretensões de origem atmosférica.
  • Seção dos condutores - cada circuito deve usar condutores com seção (bitola) adequada à corrente prevista. Fiação subdimensionada aquece, deteriora a isolação e pode causar incêndio.

Erros elétricos mais comuns em obras residenciais

  1. Ausência de aterramento - a falha mais perigosa e mais comum. Muitas casas no Brasil não têm fio terra ou têm aterramento apenas simbólico (haste sem conexão adequada).
  2. Falta de DR em áreas molhadas - banheiros e cozinhas sem proteção diferencial residual. Um chuveiro elétrico sem DR e sem aterramento é um risco iminente de choque fatal.
  3. Circuito único para toda a casa - fiação de 2,5 mm² alimentando chuveiro, geladeira, micro-ondas e iluminação no mesmo circuito. Sobrecarrega o condutor e o disjuntor.
  4. Emendas fora de caixas de passagem - emendas feitas dentro de paredes, sem acesso, sem isolamento adequado. Pontos de aquecimento e falha futura.
  5. Disjuntores superdimensionados - usar disjuntor de 30A em circuito com fiação de 2,5 mm² (que suporta no máximo 20A). O disjuntor não desliga antes da fiação derreter.
  6. Falta de identificação dos circuitos - quadro sem etiquetas. Quando há problema, o morador não sabe qual disjuntor desligar.
  7. Tomadas sem circuito dedicado - equipamentos de alta potência (chuveiro, ar condicionado, forno elétrico, secadora) devem ter circuito exclusivo com fiação e disjuntor compatíveis.
  8. Fiação exposta ou sem eletroduto - condutores passando por lajes e paredes sem proteção mecânica. Risco de dano durante manutenção ou reformas.
  9. Quadro de distribuição subdimensionado - sem espaço para novos circuitos. Resultado: gambiarras com extensões e benjamins.
  10. Não considerar a queda de tensão - em casas grandes ou com quadro distante dos pontos de consumo, a queda de tensão pode causar mau funcionamento de equipamentos.

Na Concretu, você pode consultar os requisitos da NBR 5410 para cada tipo de ambiente e circuito. Basta perguntar no chat, por exemplo: "Quais os requisitos da NBR 5410 para instalação elétrica de banheiro?"

NBR 5626: instalações hidráulicas

A NBR 5626 trata das instalações prediais de água fria. Define requisitos para projeto, execução e manutenção de sistemas de distribuição de água potável dentro da edificação.

Uma instalação hidráulica mal dimensionada resulta em problemas que afetam o dia a dia do morador: pressão insuficiente no chuveiro, ruídos na tubulação, vazamentos em conexões e, no pior caso, contaminação da água.

O que a NBR 5626 exige na prática

  • Dimensionamento por vazão - cada ponto de consumo (torneira, chuveiro, vaso sanitário, máquina de lavar) tem uma vazão de projeto específica. O diâmetro da tubulação deve ser calculado para atender à soma das vazões simultâneas previstas.
  • Pressão mínima e máxima - a pressão dinâmica mínima nos pontos de utilização deve ser de 10 kPa (1 mca), exceto para caixas de descarga e aquecedores, que podem exigir mais. A pressão estática máxima não deve ultrapassar 400 kPa (40 mca) em qualquer ponto.
  • Reservação - a reserva de água deve ser dimensionada considerando o consumo diário per capita (geralmente 150 a 200 litros/pessoa/dia para residências) e a frequência de abastecimento. A caixa d'água deve ter volume para pelo menos 24 horas de consumo.
  • Materiais compatíveis - tubulações de água potável devem usar materiais atóxicos e que não alterem as propriedades da água. PVC soldável, CPVC, PPR e PEX são os mais comuns em instalações residenciais.
  • Isolamento de sistemas - cada unidade, cada pavimento e cada coluna de distribuição deve ter registro de fechamento para permitir manutenção sem interromper toda a edificação.
  • Proteção contra retrossifonagem - a norma exige dispositivos que impeçam o retorno de água contaminada ao sistema de água potável. Separação atmosférica em caixas d'água e válvulas de retenção em pontos críticos.
  • Velocidade máxima na tubulação - a velocidade da água nas tubulações não deve ultrapassar 3 m/s para evitar ruídos, golpe de aríete e erosão nas conexões.

Problemas comuns em instalações hidráulicas

  • Pressão insuficiente - tubulação subdimensionada ou caixa d'água muito baixa. Resultado: chuveiro fraco, torneiras que não enchem nada.
  • Golpe de aríete - fechamento rápido de registros ou válvulas causa batida hidráulica na tubulação. Danifica conexões e gera ruído.
  • Vazamentos em conexões - soldas mal feitas em PVC ou conexões de roscas sem vedação adequada. Vazamento dentro de parede só aparece quando já causou dano.
  • Cruzamento com esgoto - tubulação de água fria passando próxima ou cruzando com tubulação de esgoto sem o afastamento mínimo.
  • Falta de registros - instalações sem registro individual por ambiente. Para consertar um vazamento no banheiro, é preciso fechar a água da casa inteira.
  • Caixa d'água sem manutenção - caixas sem tampa, sem extravasor ou sem acesso para limpeza. Risco de contaminação da água.

Teste de pressão hidrostática

Antes de fechar paredes, toda tubulação de água deve passar pelo teste de pressão. O procedimento consiste em:

  1. Tampar todos os pontos de consumo (torneiras, registros, saídas)
  2. Pressurizar a tubulação a 1,5 vez a pressão de trabalho (geralmente 6 a 7 kgf/cm²)
  3. Manter a pressão por no mínimo 1 hora
  4. Verificar se houve queda de pressão no manômetro

Se a pressão cair, há vazamento em alguma conexão. É muito mais barato identificar e corrigir agora do que depois de revestir a parede.

A NBR 5626 trabalha em conjunto com a NBR 8160 (esgoto sanitário) e a NBR 7198 (água quente). O projeto hidráulico completo deve considerar as três.

Consulte normas técnicas com IA

Pergunte sobre NBR 15575, NBR 5410, NBR 5626 e centenas de outras normas. A Concretu responde com a informação técnica e referência à seção da norma.

Impermeabilização: onde e como aplicar

A impermeabilização é regida pela NBR 9575 (projeto de impermeabilização) e pela NBR 9574 (execução de impermeabilização). É um dos itens mais negligenciados na construção residencial - e um dos que mais causam patologias.

Toda área sujeita a contato com água ou umidade do solo deve receber tratamento impermeabilizante. A ausência ou falha de impermeabilização é a principal causa de infiltrações, manchas, mofo e deterioração precoce de revestimentos e estrutura.

Áreas que exigem impermeabilização

Banheiros e áreas molhadas:

  • Piso inteiro impermeabilizado, com o sistema subindo 30 cm nas paredes
  • No box, a impermeabilização deve subir até 1,80 m de altura
  • Ralos devem receber reforço na junção com o piso
  • Teste de lâmina d'água por 72 horas antes de revestir

Cozinhas e áreas de serviço:

  • Piso impermeabilizado, especialmente na região de tanque, pia e máquina de lavar
  • Impermeabilização deve subir 30 cm nas paredes em todo o perímetro

Lajes de cobertura:

  • Toda laje exposta deve receber impermeabilização, mesmo que receba telhado por cima
  • Lajes de cobertura plana (terraço, laje impermeabilizada) exigem sistema robusto com proteção mecânica
  • Rufos, pingadeiras e encontros com paredes devem ser tratados

Varandas e sacadas:

  • Piso impermeabilizado com caimento mínimo de 1% para o ralo ou para fora
  • Junção com a porta de acesso deve impedir entrada de água para o ambiente interno

Fundações e subsolos:

  • Vigas baldrame e alicerces devem receber impermeabilização para bloquear umidade ascendente do solo
  • Subsolos enterrados exigem impermeabilização externa com proteção mecânica

Materiais de impermeabilização

MaterialAplicação típicaVantagensLimitações
Manta asfálticaLajes, banheiros, fundaçõesAlta durabilidade, resistência mecânica, normatizadaRequer mão de obra especializada, uso de maçarico
Membrana acrílicaBanheiros, varandas, cozinhasFácil aplicação, boa elasticidade, pode ser aplicada a frioMenor durabilidade que manta asfáltica, sensível a UV
Argamassa poliméricaFundações, reservatórios, pisosBoa aderência, resistente a pressão negativaMenos flexível, pode fissurar com movimentação
Membrana de poliuretanoLajes, coberturas planasExcelente elasticidade, sem emendas, moldávelCusto elevado, sensível a UV sem proteção
CristalizanteReservatórios, piscinas, estruturas enterradasPenetra no concreto, não forma camada sobre a superfícieFunciona apenas em substrato cimentício, não é indicado para áreas com movimentação

Regra de ouro: impermeabilização não é item para economizar. O custo da impermeabilização representa de 1 a 3% do custo total da obra. O custo de reparar uma infiltração pode representar 10 a 20%.

Patologias comuns e como evitar

Patologias construtivas são falhas que comprometem o desempenho, a estética ou a segurança da edificação. A maioria tem origem em erros de projeto, execução ou ausência de manutenção. Conhecer as causas permite evitar o problema antes que ele apareça.

Trincas e fissuras

Fissuras são aberturas de até 0,5 mm. Trincas são aberturas maiores. A classificação importa porque trincas podem indicar problemas estruturais.

TipoCaracterística visualCausa provávelSolução
Fissuras capilaresLinhas finas, aleatórias, < 0,1 mmRetração da argamassa de revestimentoGeralmente estéticas. Pintura com tinta elastomérica resolve
Fissuras mapeadasPadrão de "mapa" na superfícieExcesso de cimento na argamassa, cura inadequadaRefazer revestimento com traço correto e cura úmida
Trincas horizontaisLinha horizontal na base ou topo da paredeMovimentação térmica da laje, ausência de junta de dilataçãoJunta de dessolidarização entre laje e alvenaria, uso de tela no revestimento
Trincas em 45°Diagonal partindo de cantos de portas ou janelasRecalque de fundação, sobrecarga concentradaAvaliação estrutural. Pode exigir reforço de fundação
Trincas verticais em encontrosVerticais na junção de paredesFalta de amarração entre paredes, ausência de telaGrampear com ferro, aplicar tela de reforço no revestimento

Mofo e bolor

CausaOnde apareceComo evitar
Ventilação insuficienteCantos de parede, atrás de móveis, banheiros sem janelaProjeto com ventilação cruzada, exaustores em banheiros sem janela
Ponte térmicaFace interna de paredes externas, lajes de coberturaIsolamento térmico adequado à zona bioclimática, forro ventilado
Infiltração ocultaPróximo a banheiros, embaixo de janelas, rodapésImpermeabilização correta, vedação de esquadrias, verificação de tubulações
CondensaçãoParedes frias com ar úmido internoVentilação adequada, materiais com inércia térmica, desumidificadores em climas úmidos

Infiltrações

OrigemSintomaPrevenção
FachadaManchas internas em paredes externas após chuvaRevestimento íntegro, pintura impermeabilizante, vedação de esquadrias
Laje de coberturaManchas no forro ou teto do último pavimentoImpermeabilização da laje, rufos e calhas dimensionados
Banheiro de pavimento superiorManchas no teto do andar de baixoImpermeabilização com teste de estanqueidade antes do revestimento
Umidade ascendenteManchas na base de paredes térreas, eflorescênciaImpermeabilização de fundações, respiro entre solo e contrapiso

Eflorescência

Eflorescência são manchas brancas que aparecem em superfícies de alvenaria ou concreto. São sais solúveis transportados pela água que, ao evaporar, deposita cristais na superfície.

Causas: excesso de umidade + presença de sais nos materiais (cimento, cal, tijolos) + falta de impermeabilização.

Prevenção: impermeabilização adequada, uso de materiais de baixo teor de sais, cura adequada de argamassas e concreto.

Desplacamento de revestimento cerâmico

O desplacamento (ou descolamento) de revestimento cerâmico ocorre quando as peças se soltam da base. Pode acontecer em pisos ou paredes, internas ou externas.

Causas mais comuns:

  • Falta de cura da argamassa de assentamento
  • Base irregular ou sem chapisco adequado
  • Ausência de juntas de movimentação em panos grandes (a norma recomenda junta a cada 3 m em fachadas e 6 m em ambientes internos)
  • Argamassa colante incompatível com o tipo de peça ou a exposição ao ambiente (AC-I onde deveria ser AC-III, por exemplo)
  • Não respeitar o tempo em aberto da argamassa colante durante a aplicação

Prevenção: usar argamassa colante do tipo correto para cada aplicação, respeitar as juntas de movimentação e dilatação, fazer dupla colagem em peças grandes (acima de 30x30 cm) e aguardar cura completa da base.

Quando a patologia já apareceu

Se a edificação já apresenta patologias, a primeira ação é identificar a causa antes de tratar o sintoma. Pintar sobre mofo sem resolver a ventilação fará o mofo voltar. Fechar uma trinca sem tratar o recalque de fundação fará ela reabrir.

Em casos de trincas com padrão diagonal, recalque visível, deformações em lajes ou desnivelamento de pisos, a avaliação deve ser feita por engenheiro estrutural. Problemas estruturais não devem ser tratados como estéticos.

A Concretu possui informações detalhadas sobre patologias construtivas em sua base de normas técnicas. Você pode perguntar sobre qualquer patologia e receber orientação com referência normativa.

Checklist de qualidade da obra

Use este checklist durante a execução da obra para verificar os itens mais críticos. Cada item corresponde a requisitos normativos que, se ignorados, podem gerar patologias sérias.

Instalações elétricas (NBR 5410)

  • Sistema de aterramento instalado e medido (resistência conforme projeto)
  • Dispositivo DR instalado em circuitos de áreas molhadas (banheiro, cozinha, área de serviço, área externa)
  • Circuito exclusivo para cada equipamento de alta potência (chuveiro, ar condicionado, forno, secadora)
  • Quadro de distribuição com espaço reserva e disjuntores identificados por etiqueta
  • Seção dos condutores compatível com a corrente de projeto de cada circuito
  • Todas as emendas feitas dentro de caixas de passagem com conectores adequados
  • DPS (dispositivo de proteção contra surtos) instalado no quadro de entrada
  • Eletrodutos em todos os trechos de fiação embutidos em laje ou parede

Instalações hidráulicas (NBR 5626 / NBR 8160)

  • Teste de pressão na tubulação de água fria executado antes do fechamento das paredes (mínimo 1,5x a pressão de trabalho por 1 hora)
  • Registro de gaveta em cada ambiente molhado para permitir manutenção individual
  • Caimento correto nos ralos (mínimo 1% em direção ao ralo)
  • Ventilação de esgoto instalada conforme projeto (coluna de ventilação ou válvula de admissão de ar)
  • Caixa d'água com volume adequado ao consumo, tampa, extravasor e limpeza acessível
  • Afastamento mínimo entre tubulação de água e esgoto respeitado

Impermeabilização (NBR 9575 / NBR 9574)

  • Banheiros: impermeabilização do piso e paredes (30 cm geral, 1,80 m no box)
  • Teste de lâmina d'água realizado em cada área molhada (72 horas com 5 cm de água)
  • Laje de cobertura impermeabilizada com tratamento nos rufos e encontros com paredes
  • Fundações e baldrames com impermeabilização contra umidade ascendente do solo
  • Varandas e sacadas impermeabilizadas com caimento para ralo ou para fora

Desempenho térmico e acústico (NBR 15575)

  • Paredes externas com transmitância térmica compatível com a zona bioclimática
  • Cobertura com isolamento térmico (câmara de ar ventilada ou material isolante)
  • Aberturas para ventilação nos ambientes de permanência prolongada (quartos, sala)
  • Paredes entre unidades (em edifícios) com espessura e material que atendam ao isolamento mínimo de 45 dB
  • Tubulações hidráulicas de áreas comuns não passam por paredes de dormitórios sem isolamento

Estrutura e fundação (NBR 6118 / NBR 6122)

  • Fundação executada conforme laudo de sondagem e projeto estrutural
  • Cobrimento mínimo das armaduras respeitado em vigas, pilares e lajes
  • Concreto com resistência (fck) conforme especificação do projeto
  • Cura úmida do concreto realizada por no mínimo 7 dias
  • Formas conferidas quanto a alinhamento, nível e escoramento antes da concretagem

Acabamento e estanqueidade

  • Esquadrias externas com vedação (borrachas, silicone, pingadeira)
  • Fachadas sem fissuras visíveis antes da pintura final
  • Juntas de dilatação entre laje e alvenaria executadas conforme projeto
  • Contrapisos com cura mínima antes de receber revestimento
  • Rejuntamento completo em áreas molhadas com material flexível
  • Pingadeiras instaladas em peitoris de janela para evitar escorrimento na fachada
  • Soleiras de portas externas com desnível para impedir entrada de água

Este checklist pode ser personalizado para a sua obra. Na Concretu, você pode pedir ao chat para gerar um checklist de qualidade adaptado ao sistema construtivo, região e tipo de edificação que está construindo.

Como a Concretu facilita a consulta de normas

Consultar normas técnicas no dia a dia da obra pode ser difícil. Os documentos são extensos, técnicos e nem sempre acessíveis. A Concretu integra o conteúdo das principais normas da ABNT para construção civil em um chat de inteligência artificial. Você pergunta em linguagem natural e recebe a resposta com referência à seção da norma.

Exemplos de consultas que você pode fazer:

  • "Qual a pressão mínima em pontos de chuveiro segundo a NBR 5626?"
  • "Quais os requisitos de aterramento para instalação residencial na NBR 5410?"
  • "Qual a transmitância térmica máxima para paredes na zona bioclimática 3?"
  • "Como deve ser feita a impermeabilização de banheiro conforme a NBR 9575?"

Isso elimina a necessidade de navegar PDFs de centenas de páginas e permite consultas rápidas durante o projeto ou a execução.

Fontes e referências

As informações deste artigo são baseadas nas seguintes normas e referências técnicas:

  • NBR 15575:2021 - Edificações habitacionais - Desempenho (Partes 1 a 6)
  • NBR 5410:2004 - Instalações elétricas de baixa tensão
  • NBR 5626:2020 - Instalações prediais de água fria e água quente - Projeto, execução, operação e manutenção
  • NBR 8160:1999 - Sistemas prediais de esgoto sanitário - Projeto e execução
  • NBR 9575:2010 - Impermeabilização - Seleção e projeto
  • NBR 9574:2008 - Execução de impermeabilização
  • NBR 15220:2003 - Desempenho térmico de edificações (Partes 1 a 5)
  • NBR 6118:2023 - Projeto de estruturas de concreto - Procedimento
  • NBR 6122:2022 - Projeto e execução de fundações

As normas ABNT são documentos protegidos por direitos autorais. Este artigo não reproduz o conteúdo normativo - apresenta a aplicação prática e os riscos de descumprimento. Para consultar o conteúdo técnico com referência à seção da norma, utilize a plataforma Concretu.


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